We're sorry but this app doesn't work properly without JavaScript enabled. Please enable it to continue.
Skip to main content

Afro-Portugal 2026 / CÊ VÊ

23 Out18:00
Cena Lusófona – Sala Jorge Pais de Sousa
Performance

Partindo do texto um país bronzeado repleto de pessoas racistas publicado em 2022 no livro “Volta Pra Tua Terra” da editora Urutau, a performer pontua a desconfiança e a rejeição que acontecem com pessoas racializadas, que vivem a incerteza constante, pelo facto de nunca serem consideradas suficientes para desempenhar atividades em que até são excepcionais, pontuando a forma como a sociedade lida com esses corpos, subjugando-os, desprovendo-os de valor, onde numa tentativa de falsa inclusão decide mandar na forma como estes se devem apresentar. Por que o cabelo de uma pessoa fazer imensos caracóis é associado a uma incapacidade intelectual, mesmo quando o diploma diz o contrário? Com a crescente precarização da sociedade há corpos que nunca saem desse lugar e quando há uma crise crescente, também são esses mesmos corpos os primeiros a sentirem essa violência, vivendo o medo constante de nunca sair da precariedade.

Numa busca que procura entender e instigar que textura podem ou não adquirir esses corpos da sociedade a quem a humanidade performer interage com vários elementos que habitualmente são encontrados num mundo mais corporativo, como por exemplo agrafadores, fita-cola, etc, colocando-os em contacto com o seu cabelo e o seu rosto, tentando saturá-los com esses elementos, sabendo que o seu cabelo e o seu rosto jamais serão considerados a cara da empresa, evidenciando um medo enfrentado por muitos outros e escancarando violências há muito vividas. É como se fosse uma dança que nunca começa.


Afro-colonial-afro-decolonial-afro-europeu-afro-pessimismo-afro-futurismo-afro-centrado-luso-afro-ancestral-afro-lusófono-afro-diaspórico-afro-performance-afro-tudo-ou-afro-nada……….

Nesta terceira edição, o festival Afro-Portugal 2026 abre espaço para todas as interrogações, indagações, questionamentos, perplexidades, críticas, instabilidades, flutuações, derrocadas, desordens, caos e até mesmo entropias… em torno do prefixo Afro.

Num caminho que passou por fazer as contas do passado colonial (2022) e refletir sobre os mundos em movimento (2024), pretendemos, agora, interrogar os hífens, como expressão insuficiente da complexidade que reside nos dois lados de tantos elementos hifenados. É importante solidificar os modos de afirmação das pessoas negras como sujeitos plenos das diversas comunidades em que se movem e como agentes do seu futuro e das sociedades em que desejam viver. Afinal, quem fala, de quem se fala, para quem se fala?

Quantas comunidades, quantas vivências, quantas subjetividades diversas se manifestam no Afro? Quais as suas vozes, próximas e diversas? Que mitos e que realidades? Que liberdades e que ocultações? Que restituições e que apropriações? Que prolongamentos coloniais na celebração de datas redondas? Que presente e futuro dos / para africanos/as e seus países? Que presente e futuro para afrodescendentes neste país?

“Afro-Quê?!” é uma convocatória artística, ética, social e política para um verdadeiro protagonismo negro no desenho múltiplo e diverso das linguagens, dos saberes, das estéticas e dos imaginários transformadores que podem levar a um mundo mais justo.