Pai Mãe Irmã Irmão

Estruturado como um tríptico, o novo filme de Jim Jarmusch, consagrado em Veneza com o Leão de Ouro, traça três retratos íntimos que exploram as relações entre filhos já adultos e os pais – distantes ou ausentes – e os laços que os unem. Cada capítulo tem lugar numa geografia diferente: Father/Pai, no nordeste dos Estados Unidos; Mother/Mãe, em Dublin; e Sister Brother/Irmã Irmão, em Paris. Uma comédia subtil, atravessada por delicados fios de melancolia característicos do Jarmusch touch.
 
Jim Jarmusch, cineasta, argumentista, ator e músico nascido em Akron no Ohio, é o representante supremo e derradeiro do “cinema independente americano”. A qualidade única dos seus filmes advém da alquimia elegante e perfeita entre aquilo que convoca de clássico e de moderno, de um passado e de um presente (do cinema, da literatura, da música e da cultura em geral), da América (para a qual Jarmusch olha com um olhar de estrangeiro, um estrangeiro benigno e fascinado, nas palavras de Tom Waits) e do mundo.
Do semi-autobiográfico filme de fim-de-curso Permanent Vacation/Sempre em Férias (1980) e de uma das mais marcantes e influentes primeiras obras de sempre, Stranger Than Paradise/Para Além do Paraíso (1984, vencedora da Caméra d’Or em Cannes), passando por esses inolvidáveis filmes-trip que são Dead Man/Homem Morto (1995) e Only Lovers Left Alive/Só os Amantes Sobrevivem (2013), até ao par de obras de 2016, Paterson e Gimme Danger (documentário sobre o rock’n’roll proto-punk de Iggy Pop e dos seus Stooges), o tempo e o ritmo do cinema de Jarmusch são os do blues e do jazz. Os seus filmes fazem-se de silêncios e pequenos detalhes, de estruturas narrativas esparsas, de ambientes melancólicos e, acima de tudo, de um amor e humor muito ternos por personagens apanhadas em trânsito (físico, emocional ou mental) nas suas vidas.