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Conferência de Hernán Ulm no Instituto de Estudos Brasileiros

15 Mai14:00
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16:00
Instituto de Estudos Brasileiros
Conferências e Congressos

Na próxima sexta-feira, 15 de maio, pelas 14:00, o Instituto de Estudos Brasileiros, juntamente com a Secção de Estudos Artísticos da FLUC, acolhe uma conferência pelo Professor Hernán Ulm, da Universidad Nacional de las Artes (Buenos Aires), com o título “Derivas não objetuais na arte. Uma genealogia do nosso presente”.



Hernán Ulm é Doutor em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense (Brasil) e Mestre em Filosofia Contemporânea pela Universidade Nacional de Salta (Argentina). É Professor Titular de Problemáticas Estético-Filosóficas Contemporâneas na Universidade Nacional das Artes, onde também é Diretor do Mestrado em Pesquisa em Artes e do Mestrado em Cultura Pública. Ministrou numerosos cursos de pós-graduação na Argentina, Chile e Brasil. Publicou os livros Cuestión de imagen, Rituales de la Percepción: artes, técnicas, políticas e Desbordes, el sitio del dibujo. Atualmente dirige o Projeto de Pesquisa “O modo de existência das práticas artísticas: uma cartografia da questão”, no qual se busca uma aproximação pós-metafísica às questões estéticas entendidas como meios de configuração do sensível no agenciamento neoliberal.



Eis o resumo da sua conferência:



Em 1928, no breve ensaio “A conquista da ubiquidade”, Paul Valéry assinala a necessidade e a urgência de redefinir as práticas artísticas e, ainda mais, de elaborar uma “filosofia da realidade sensível ao domicílio” (numa passagem conhecida, o pensador francês afirma que “nem a matéria, nem o espaço, nem o tempo são o que eram há vinte anos”). Segundo se infere desta afirmação, o espaço deixa de ser homogéneo, o tempo deixa de ser contínuo e a matéria transforma-se em energia. Esta exigência distribui-se no século XX em dois sentidos complementares: por um lado, a deriva concetual que identifica a arte com a ideia. Por outro, a deriva não objetual que, em autores latino-americanos como Mario Pedrosa, Ferreira Gullar, Lygia Clark ou Hélio Oiticica, dá lugar a uma definição das práticas artísticas como um “exercício da liberdade” que supõe uma crítica dos comportamentos normalizados da sociedade programática (como diz Oiticica, trata-se de criar um “programa in progress”). Segundo este segundo movimento, as práticas artísticas não têm como finalidade a construção de um objeto (a obra de arte), mas sim a impugnação dos comportamentos que organizam a vida em comum. Por outro lado, como assinala Gilles Deleuze no segundo volume de Escritos sobre cinema, o acontecimento moderno exprime-se na rutura do vínculo que nos unia ao mundo. E a tarefa das artes, afirma, é pensar no interior dessa rutura. A conferência pretende pensar, desta forma, até que ponto as práticas artísticas, na sua deriva não objetual, podem constituir um pensamento do sensível que implica uma consideração ético-política que destitui a organização algorítmica das nossas condutas e em que medida a nossa atualidade continua a repetir o diagnóstico que Valéry realizou há quase cem anos.