Todos São Palco

A quinta edição da Todos São Palco – Mostra de Teatro Além do Equador (TSP26) está de regresso entre 17 de setembro e 17 de outubro, com uma programação que parte da Amazónia enquanto território geográfico, simbólico, político e cultural e chega a palcos de 13 cidades, através de uma rede que reúne 16 instituições culturais de norte a sul do país. Criada e realizada pelo Teatrão, com o apoio e financiamento da Câmara Municipal de Coimbra, a iniciativa propõe, nesta edição, uma reflexão sobre algumas das questões mais urgentes da contemporaneidade, como as alterações climáticas, os processos históricos e atuais de colonização, o contacto com povos originários e as múltiplas identidades culturais da América do Sul. Em Coimbra, um dos destaques é o espetáculo “As Cores da América Latina”, no Convento São Francisco, a 24 de setembro, às 19h00.
Com o mote “Amazónias Futuras”, a programação reúne seis espetáculos, cinco dos quais provenientes da região amazónica, e propõe imaginar futuros através das artes cénicas. Coproduzida por 16 instituições culturais, 14 das quais integrantes da Rede de Teatros e Cineteatros Portugueses (RTCP), a mostra, com curadoria do dramaturgo e professor Jorge Louraço Figueira, passa por Coimbra, Aveiro, Loulé, Mafra, Penafiel, Santarém, Alcanena, Ourém, Viana do Castelo, Águeda, Lousã, Marinha Grande e Porto.
Coimbra e Aveiro mantêm-se como os principais centros da rede de programação, afirmando-se como territórios centrais da mostra. Em Coimbra, participam o Teatrão – Oficina Municipal do Teatro, o Convento São Francisco, o Teatro Académico de Gil Vicente (TAGV) e A Escola da Noite – Teatro da Cerca de São Bernardo, reforçando a dimensão da cidade enquanto espaço de criação, acolhimento e circulação artística.
6 espetáculos para pensar as “Amazónias Futuras”
A programação da TSP26 integra “As Cores da América Latina”, da companhia Panorando, de Manaus, que cruza dança e teatro numa abordagem não linear à história do último Fofão, personagem do Carnaval Maranhense, evocando a memória de tradições latino-americanas. Distinguido, em 2024, com o 34.º Prémio Shell de Teatro, na categoria Destaque Nacional, o espetáculo passa pelo Convento São Francisco, no dia 24 de setembro, às 19h00. Os bilhetes vão ser colocados à venda em breve.
Também do Brasil chega “O Avesso da Pele”, criação do Coletivo Ocutá, de São Paulo, a partir do romance homónimo de Jeferson Tenório, vencedor do Prémio Jabuti de Melhor Romance Literário em 2021. A peça acompanha Pedro após o assassinato do pai às mãos da polícia, numa viagem pelas origens, pela história familiar e pela vida do progenitor. O espetáculo, que conta no elenco com Vitor Britto, indicado ao 34.º Prémio Shell de Melhor Ator, será apresentado em Coimbra, no TAGV, no dia 2 de outubro, às 21h30.
A relação com a floresta e a crise que a Amazónia atravessa está igualmente no centro de “Los Devoró la Selva”, de Eloisa Jaramillo e Mateo Mejía, de Bogotá, criado a partir de A Voragem, de José Eustasio Rivera. Através de uma abordagem ecossomática do movimento, o espetáculo propõe um percurso de redescoberta do olhar e de contacto com uma “selva interior”, com duas apresentações previstas em Coimbra, na Oficina Municipal do Teatro, nos dias 23 e 24 de setembro, às 21h30.
Do Peru chega “DES-CONOCIDO”, do Grupo Cultural Yuyachkani, de Lima, um dos mais históricos grupos teatrais sul-americanos e o mais antigo em atividade ininterrupta no país, desde 1971. Com interpretação de Julián Vargas e dramaturgia e direção de Miguel Rubio Zapata, o solo aborda temas como a saúde mental, o confinamento, o esquecimento e a exclusão e assinala a estreia do grupo em Portugal. O espetáculo estará em cena em Coimbra, na Escola da Noite, no dia 25 de setembro, às 19h00.
A artista brasileira Uýra, de Manaus, apresenta “Ponto Final, Ponto Seguido”, uma performance-ritual que procura ativar vidas, memórias, águas e florestas ocultadas sob as materialidades e os imaginários coloniais. A apresentação em Coimbra decorre no dia 23 de setembro, às 17h00, no TAGV.
A programação inclui ainda “Fértil em Terras Áridas”, do Ateliê 23, de Manaus, com uma sessão em Coimbra, na Oficina Municipal do Teatro no dia 1 de outubro, às 19h00. A apresentação em Coimbra inclui ainda um jantar de gastronomia amazónica. Em palco, cinco bufões despedidos pelo alto clero que os apoiava contam uma história sobre a condição de ser artista num contexto dominado pelo poder corrupto.
Criação, formação e encontro com as comunidades
A mostra integra também um programa de atividades paralelas dedicado a áreas como a literatura, a dramaturgia, a encenação, a performance e a dança, abordando temas como a sustentabilidade, a igualdade e a identidade. Neste contexto, a Oficina Municipal do Teatro assume um papel de destaque enquanto polo de formação, acolhendo oficinas e masterclasses com as equipas artísticas dos espetáculos que integram a programação.
Está ainda previsto um ciclo de conversas com artistas participantes na TSP26, repartido entre a OMT, o Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra e o Instituto de Estudos Brasileiros da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, a 24 de setembro e a 1 e 8 de outubro. Estes momentos pretendem promover o encontro entre artistas, investigadores, comunidades e públicos, estimulando o pensamento crítico e o diálogo em torno de temas que ultrapassam fronteiras nacionais.
No total, a Todos São Palco reúne artistas provenientes do Brasil, da Colômbia e do Peru, oriundos de sete cidades: Manaus, Bogotá, Lima, Rio de Janeiro, São Paulo, Fortaleza e Natal. O alargamento da abrangência geográfica e artística da programação está também na origem da alteração do subtítulo da iniciativa, que deixa de se designar “Mostra de Teatro Brasileiro” para passar a ser “Mostra de Teatro Além do Equador”.
Programa completo aqui
Mais informação em: oteatrao.com/programacao/todos-sao-palco-2026/