Tipos de Coimbra — Luzes da Cidade no Teatro Fase III

Para um terceiro momento da exposição Tipos de Coimbra, apresenta-se o letreiro STATES, elemento gráfico de uma das discotecas míticas de Coimbra, elemento que foi resgatado e restaurado por angariação pública em parceria com o Teatro Académico de Gil Vicente e que é agora apresentado ao público pela primeira vez.
Fundado em 1984, o STATES começou por ser uma discoteca semelhante às restantes em Coimbra, mas em 1986, pela mão de Jorge Peixoto, transformou-se num espaço alternativo que marcou profundamente a cena musical da cidade, um espaço de afirmação cultural e de construção de identidade. Ao som de bandas como os Devo e os The Cramps, tornou-se ponto de encontro para uma geração que descobria o rock, o punk e o pós-punk. As míticas matinés de quarta-feira, que levaram muitos alunos a faltar às aulas, ajudaram a formar musicalmente vários músicos de Coimbra.
Este letreiro data de 1984. Consiste de letras metálicas espaçadas fixadas numa subestrutura metálica. Cada letra teria originalmente um elemento tubular em vidro por onde corria gás nobre néon, dando a sua característica iluminação em vermelho-vivo quando sensibilizado pela luz elétrica. As letras são guarnecidas por um elemento em acrílico vermelho.
Rafael Vieira (Coimbra, 1979) é arquitecto e jornalista-colaborador, mestre em Reabilitação Urbana e pós-graduando em Jornalismo de Investigação Colaborativo na FLUC. Resgata memórias gráficas da cidade pelo projeto Tipos de Coimbra (com Liliana Marante), mantém o acervo Coimbrastreetart e é ativista nos coletivos Eu Também Coimbra e Coimbra Pedal. Vencedor de vários prémios jornalísticos e literários, está a co-realizar um documentário e lançou recentemente o livro Salatinas pela Fundação FMS.
Liliana Marante (Águeda, 1985) é a outra mediadora do projeto Tipos de Coimbra. Psicóloga e terapeuta corporal, mestre em psicologia clínica e da saúde pela FPUL e pós-graduada em dança e movimento em psicoterapia na FPCEUC. Interessa-se pela exploração do movimento no espaço enquanto ocupação e identidade. O estudo da conceptualização/ estrutura de espaços liminais, e a relação espacial que se forma entre as coisas, narrativa e experiencialmente, tem sido objeto de trabalho, incluindo as interações interespécies e com objetos vivos pela memória.