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Os cabeças redondas e os cabeças bicudas ou Os ricos dão-se bem com os ricos

28 Mai21:30
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30 Mai

Em maio, a Bonifrates faz as quatro últimas apresentações da peça Os cabeças redondas e os cabeças bicudas ou Os ricos dão-se bem com os ricos, de Bertolt Brecht. As sessões acontecerão no Teatro-Estúdio Bonifrates (Casa Municipal da Cultura de Coimbra), nos dias 20 (quarta-feira), 21 e 28 (quinta-feira), pelas 21h30 h, e a 30 (sábado), pelas 16h00 horas. Estas representações integram-se ainda na programação das Comemorações Populares do 25 de Abril.


Com estes espectáculos, a Bonifrates conclui também quatro meses de intensa atividade de iniciativas paralelas ao espectáculo, de que fizeram parte uma oficina de ilustração, "Ilustre Brecht", orientada por Ana Biscaia, numa parceria com a Casa da Esquina; um Laboratório de Movimento, dirigida pela bailarina e coreógrafa Catarina Trota, com o título "Do Tonus ao Gestus: afecto, poder e resistência do corpo" e um recital performativo, "Nada é impossível de mudar - Poética da Revolta", coordenado por Cristina Janicas, estas duas atividades em parceria com o Teatro Académico de Gil Vicente e, igualmente, no último caso, a Biblioteca Municipal de Coimbra.


Decorreram ainda aulas abertas e outras atividades, em parceria com a Secção de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, com a participação de alunos e professores.


A peça Os cabeças redondas e os cabeças bicudas ou Os ricos dão-se bem com os ricos, este texto de Brecht, inspira-se na peça de Shakespeare, Medida por medida, é uma parábola em forma de comédia.


Sinopse

A terra de Yahoo encontra-se em plena crise económica. Os camponeses revoltam-se e os proprietários recusam-se a baixar os preços das rendas. Ameaçados nos seus privilégios, estes resolvem então promover ao poder Iberin, um caudilho que aparece com força para acalmar os ânimos e vencer a crise. Para isso, vem falar da divisão que existe na população entre duas raças, de acordo com a forma das suas cabeças - os tchuchos e os tchichos, os cabeças redondas e os cabeças bicudas. Instalada a confusão, encontrado um bode expiatório, a maioria da população esquece a luta por melhores condições de vida e o fosso mais brutal: a diferença entre ricos e pobres.

Esta é uma das primeiras peças em que Brecht desenvolve a temática do fascismo e questiona as teorias da raça, com as suas estratégias de populismo, divisionismo e manipulação social. Como refere, no programa do espectáculo, Maria de Fátima Gil, Professora da Secção de Estudos Germanísticos da Faculdade de Letras da UC, "a peça, todavia, não se restringe a esse eixo de interpretação" (...) Desafiados os espectadores pelo efeito de estranhamento e pelo cruzamento das diferentes temáticas, cabe-lhes aplicar o seu juízo crítico e decidir a exegese e a reverberação do texto no mundo contemporâneo. É isso precisamente que caracteriza a grande literatura – e as obras canónicas: a estranha faculdade de articular a época em que são produzidas e, ao mesmo tempo, ultrapassar essa época, para irem ao encontro das perplexidades do auditório, consoante a situação histórica particular, em cada momento de receção.


Para além da encenação de João Paulo Janicas, "Os cabeças redondas e os cabeças bicudas" ou "Os ricos dão-se bem com os ricos" conta com cenografia de José Tavares, figurinos de Filipa Malva. A banda sonora inclui a música original de Hanns Eisler e canções compostas por Amílcar Cardoso. O apoio ao movimento e coreografia é de Catarina Trota, o cartaz e folha é de sala de Ana Biscaia, o Design de media de Guilherme Almeida e o desenho de luz de Nuno Patinho. Os cabelos são de Carlos Gago/Ilídio Design e a fotografia de cena de João Gomes.


O elenco é constituído por dezanove elementos do grupo: Alexandra Silva, António Gamboa, Beatriz Ferreira, Beatriz Janicas, Cristina Janicas, Guilherme Almeida, João Damasceno, João Paulo Janicas, João Pinto, José Castela, José Manuel Carvalho, Madalena Albuquerque, Maria José Almeida, Maria Manuel Almeida, Marta Pinto, Paula Santos, Paulo Pratas, Rui Almeida, Rui Damasceno e Susana Faria.


Dada a lotação limitada da sala, aconselha-se a reserva de bilhetes para bonifratesbilheteira@gmail.com e pelo telefone 918 306 755

Solicita-se o levantamento até 15 minutos antes da hora do espectáculo.

O espectáculo dirige-se a maiores de 12 anos e tem a duração de 2 horas e 30 minutos (com intervalo).